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COP30 em uma encruzilhada: Soberania indígena ou colapso climático?

30 de outubro de 2025 | Leila Salazar-López | De olho na amazônia

Em poucos dias, acontecerá a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas – na Amazônia! Esta é a primeira vez que a conferência será realizada na floresta tropical, e ocorre em um momento crítico para o futuro da Amazônia e dos povos indígenas que a protegem. 

A COP30 é uma das cúpulas climáticas mais importantes da história recente. Marcando 20 anos desde o Protocolo de Kyoto e dez anos desde o Acordo de Paris, ela chega em um momento em que cientistas alertam que o mundo está perigosamente perto de cruzar pontos de inflexão irreversíveis, inclusive na Amazônia.

A realização da conferência em uma capital amazônica confere-lhe um peso tanto simbólico quanto prático. Pela primeira vez, as negociações climáticas globais ocorrerão dentro da maior floresta tropical do mundo, um ecossistema essencial para a regulação do clima do planeta e lar de centenas de povos indígenas.

O processo de A saúde da Amazon está diretamente ligada ao sucesso de qualquer plano climático global.No entanto, as indústrias extrativas continuam a impulsionar o desmatamento e o colapso dos ecossistemas. A COP30 representa uma oportunidade crucial para mudar o rumo e acabar com a expansão desenfreada do petróleo, gás, mineração e agronegócio, além de alinhar as metas climáticas globais com a proteção dos direitos e territórios indígenas.

Amazon Watch Viajaremos a Belém para acompanhar muitos de nossos aliados indígenas que vieram de todo o hemisfério para apresentar suas soluções e exigir justiça. Trabalharemos dentro e fora da conferência oficial para Amplificar as vozes dos povos indígenas, movimentos sociais e aliados exigem que os direitos indígenas sejam respeitados e que os territórios indígenas sejam demarcados e declarados livres de atividades extrativistas destrutivas. 

Isto é Um apelo enraizado na soberania indígena, na justiça climática e no reconhecimento da Amazônia como um sistema vivo com seus próprios direitos. Proteger os direitos territoriais indígenas é a ação climática mais eficaz que a humanidade pode tomar. Os povos indígenas em toda a bacia já estão mostrando ao mundo como são as economias pós-extrativistas e sustentáveis, baseadas na reciprocidade, no cuidado e na interdependência com o mundo vivo.

Na COP30, Amazon Watch destacará como as indústrias extrativas – desde poços de petróleo e minas a céu aberto até as enormes monoculturas de soja e os bancos e investidores que as financiam – estão levando a Amazônia à beira do colapso. A organização irá Denunciar a hipocrisia dos governos que prometem ações climáticas enquanto expandem as fronteiras da exploração de combustíveis fósseis. no Brasil, Equador, Peru e em toda a América do Sul.

Na COP30, continuaremos a expor as ligações entre as instituições financeiras do Norte Global e a destruição dos ecossistemas amazônicos, instando os legisladores e investidores a se alinharem com a ciência. Nenhum novo projeto de combustíveis fósseis é compatível com a contenção do aquecimento global, que já ultrapassou o limite de 1.5°C, o qual impediria algumas das piores ameaças do caos climático.

Amazon Watch Organizará, coorganizará e apoiará diversos eventos importantes com alianças estratégicas durante a COP30, cada um trazendo narrativas impactantes de toda a Bacia Amazônica:

  • A Caravana das Respostas e Resistência Ferrogrão: A Caravana é uma jornada de 14 dias que parte do Mato Grosso, potência produtora de soja do Brasil, rumo à COP30 no Pará, unindo mais de 300 líderes indígenas, ribeirinhos e de movimentos sociais de toda a Amazônia e Cerrado. A caravana chegará a Belém levando uma mensagem de solidariedade e resistência ao modelo brasileiro de infraestrutura baseado em “corredores de exportação”, que sacrifica florestas e comunidades em prol do lucro. O apelo é claro: parem megaprojetos destrutivos como a ferrovia Ferrogrão, respeitem o Consentimento Livre, Prévio e Informado e apoiem economias baseadas na biodiversidade em detrimento das monoculturas e da mineração.
  • O 6th Tribunal Internacional dos Direitos da Natureza: Organizado em conjunto com a Aliança Global pelos Direitos da Natureza, este evento histórico servirá como um fórum para defender rios, florestas e outros ecossistemas. Apresentando 18 casos emblemáticos de todo o mundo, desde a perfuração de petróleo em Yasuní até a mineração canadense, o Tribunal fará um apelo final por um novo pacto social e ecológico fundamentado nas cosmovisões indígenas e no reconhecimento dos direitos inerentes da natureza.
  • Campanha contra o Crime na Amazônia e Relatório Triplo de Fronteira: Amazon Watch A campanha também destacará as intersecções entre o crime organizado, as economias ilícitas e a destruição ambiental na região da tríplice fronteira entre Colômbia, Equador e Peru. Ela insta governos e instituições internacionais a abordarem essas causas profundas da violência e do desmatamento por meio da cooperação, de alternativas econômicas e do financiamento direto para a governança territorial indígena.
  • Eleseu sou a flotilha da mamãe amazona: Percorrendo mais de 3,000 quilômetros da Amazônia equatoriana até Belém, esta jornada fluvial liderada por indígenas carrega uma mensagem de união e resistência. Lançada em Coca sob tecidos coloridos e faixas com os dizeres “Fim dos Combustíveis Fósseis – Justiça Climática Já”, a flotilha reúne líderes indígenas, aliados e defensores do meio ambiente, exigindo que a COP30 marque o início de uma Amazônia livre de petróleo, gás e mineração. Registrado por Amazon Watch, o movimento Yaku Mama (“Mãe das Águas”) Lembra ao mundo que a verdadeira justiça climática emana dos rios e territórios da Amazônia, não das salas de reuniões ou palcos políticos que continuam priorizando a extração em detrimento da vida.

Esses esforços coletivos refletem uma visão compartilhada de que a justiça climática começa na Amazônia e que proteger o bioma significa desmantelar os sistemas extrativistas, ao mesmo tempo que se valoriza a liderança indígena e os Direitos da Natureza como fundamento de um futuro sustentável. 

Independentemente do resultado da conferência em si, este evento e o encontro de vozes indígenas e aliados de todo o mundo servirão como um catalisador para avançarmos com ações ousadas para finalmente enfrentarmos a crise climática com soluções justas e regenerativas.

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