Diante da inação e da paralisia dos países em fazer progressos significativos para enfrentar a crise climática e seu principal impulsionador — os combustíveis fósseis — uma coalizão mundial de líderes legislativos tomou a iniciativa, demonstrando como pode ser a verdadeira liderança climática.
Na véspera da COP30 em Belém, Brasil – a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas a ser realizada na Amazônia – a organização Parlamentares por um Futuro Livre de Combustíveis Fósseis divulgou os resultados de uma investigação de um ano sobre os impactos e implicações da extração de petróleo na Amazônia para sua população, ecossistemas e clima. Os resultados apontam para uma conclusão inescapável: a Amazônia deve ser proibida para novas explorações de combustíveis fósseis.
Durante milênios, os povos indígenas da Amazônia deixaram claro: o petróleo sob seus territórios deve permanecer no subsolo. E eles exerceram seus direitos por décadas para que isso acontecesse. Mas agora a ciência finalmente os alcançou, afirmando que a Amazônia está em um ponto crítico sem volta, um precipício de colapso ecológico que foi levado ao limite pelo desmatamento e pela perda de biodiversidade nas mãos das indústrias extrativas.
O seu apelo ecoou por todo o mundo, amplificado por aliados da sociedade civil, como Amazon Watch e inúmeros outros. Agora, legisladores de seis países amazônicos estão se unindo a esse apelo – e transformando-o em ação política.
Após mais de um ano de audiências e consultas, os Parlamentares por um Futuro Sem Fósseis lançaram seu relatório inovador, Protegendo o Coração do Nosso Planeta: Roteiro dos Parlamentares para uma Amazônia Livre de Fósseis. A investigação representa um esforço regional sem precedentes para traçar um futuro justo e sustentável para a floresta tropical.
Um apelo unido por um futuro sem combustíveis fósseis
O Roteiro dos Parlamentares exorta os chefes de estado da Amazônia a tomarem uma medida ousada: declarar toda a região como zona livre de expansão de combustíveis fósseis.
Suas recomendações descrevem um caminho claro a seguir:
- Fortalecer a governança indígena: Defender direitos, autonomia e autodeterminação investindo diretamente na governança, culturas e economias sustentáveis indígenas.
- Catalisar a cooperação internacional: Reúna parceiros globais para interromper a expansão de combustíveis fósseis na Amazônia e promover iniciativas como o Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis, que estabelece a primeira zona de não expansão do mundo para petróleo, gás e mineração.
- Expandir o acesso à energia renovável: Levar energia limpa descentralizada, desde energia solar de pequena escala até projetos hidrocinéticos e de biomassa, para todas as comunidades da Amazônia.
Criando impulso para a COP30
O momento não poderia ser mais estratégico. Em poucas semanas, a COP30 será realizada em Belém, Brasil. Esta será a primeira cúpula do clima realizada na própria bacia amazônica.
O relatório reforça as crescentes reivindicações populares, incluindo a A resposta somos nós campanha, para designar a floresta amazônica como uma zona de exclusão permanente para indústrias extrativas.
O resultado mais ambicioso da COP30 é um cenário de "transformação acelerada", com compromissos vinculativos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis, garantir uma transição energética justa e manter o aquecimento global abaixo de 1.5°C. Para alcançá-lo, a pressão deve vir de todas as frentes: legisladores, movimentos indígenas e a sociedade civil em conjunto.
Amazon Watchcolaboração e apoio contínuo da
Amazon Watch acompanhou com orgulho esse processo desde o início.
Ajudamos a coordenar a participação de parceiros amazônicos do Peru e do Equador no primeira audiência parlamentar, enquanto os membros da nossa equipe Sofía Jarrin (representando a Aliança Equatoriana de Direitos Humanos) e Vladimir Pinto prestaram depoimentos especializados na primeira e segunda audiências.
Hoje, continuamos a aumentar a conscientização internacional sobre essa poderosa iniciativa por meio do nosso blog, divulgação na mídia e advocacy contínua com nossos aliados em toda a região.
Inspirados pela determinação e criatividade dos parlamentares, esperamos aprofundar essa colaboração além da COP30 até 2026 e além, enquanto trabalhamos juntos por uma Amazônia verdadeiramente livre de combustíveis fósseis.





