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Mineradores ilegais aterrorizam as comunidades Yanomami do Brasil

O regime de Bolsonaro permanece firme apesar de assassinato e agressão sexual

19 de maio de 2022 | Christian Poirier e Ana Paula Vargas | De olho na Amazônia

Mineração ilegal no rio Uraricoera em território Yanomami. Crédito da foto: Bruno Kelly / HAY
Aviso de conteúdo: O blog a seguir inclui descrições de estupro e violência.

A Associação Hutukara Yanomami declarou uma crise humanitária após o estupro e assassinato de uma menina Yanomami de 12 anos por garimpeiros, o desaparecimento de uma criança de 3 anos e ataques à aldeia Yanomami Aracaçá que colocou a comunidade amazônica “à beira do desaparecimento” por causa da violência causada pelos garimpeiros.

De acordo com o Júnior Hekurari, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Yek'wana (Condisi-YY), no dia 25 de abril uma menina Yanomami de 12 anos foi estuprada até a morte e uma criança de 3 anos está desaparecida depois de ser jogada em um rio quando garimpeiros atacaram a aldeia Aracaçá, no estado brasileiro de Roraima. 

Enquanto a maior parte da comunidade indígena da aldeia Aracaça estavam caçando, os garimpeiros aproveitaram a ausência para invadir a comunidade. De acordo com Hekurari, foi quando garimpeiros ilegais sequestraram uma mulher, sua sobrinha e seu filho pequeno e os levaram para o acampamento dos mineiros. A mulher tentou impedir o estupro da menina, mas os mineiros jogaram violentamente ela e seu filho em um rio em retaliação. 

Os últimos e horríveis ataques ao povo Yanomami por garimpeiros ilegais que operam impunemente em toda a Amazônia demonstram a crescente brutalidade e crueldade dos garimpeiros, que só é igualada pela indiferença do governo federal à medida que esses crimes aumentam em terras indígenas. 

Em visita à comunidade após a denúncia do crime, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) estabelecido que “nenhuma evidência material de homicídio ou estupro foi encontrada”. A agência de notícias Amazônia Real informou que segundo a tradição funerária Yanomami, o corpo da menina já havia sido cremado.

O MPF e a Polícia Federal não apuraram nenhuma informação sobre a cremação do corpo da menina, nem disseram se vão procurar a criança de 3 anos e a mãe que foram jogadas no rio.

Após o ataque, o prédio comunal de Aracaçá foi totalmente incendiado. Ainda não está claro se a estrutura foi queimada pelos Yanomami ou se isso foi resultado do ataque dos garimpeiros. Em nota, o Condisi-YY disse que “alguns indígenas se reuniram e analisaram as imagens da comunidade queimada e informaram que, segundo o costume e a tradição, após a morte de um ente querido, a comunidade em que reside é incendiado e todos evacuam para outro lugar.” 

Aracaçá está localizada em uma das regiões amazônicas mais devastadas pela mineração ilegal de ouro nos últimos cinco anos. É também a aldeia que apresentou o maior índice de poluição por mercúrio dentro da Terra Indígena Yanomami, segundo um análise realizado pelo Instituto Fiocruz em 2014 e 2015 em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) do Brasil. De acordo com o mesmo estudo, 92% do total de amostras dos moradores da vila apresentaram níveis muito altos de envenenamento por mercúrio, resultado direto da mineração ilegal, onde o mercúrio é usado para separar o ouro do solo.

De acordo com Relatório Yanomami sob ataque, divulgado em 11 de abril pela Associação Yanomami Hutakara (HYA), a aldeia Aracaçá está “à beira do desaparecimento devido à desorganização social causada pelos garimpeiros”, que trouxeram álcool e um “pó branco” para a comunidade, deixando os moradores “ viciado, alterado e violento”. 

Em resposta à ameaça de fusão, o Congresso do Brasil configurar uma comissão externa analisar as denúncias de violação de direitos contra indígenas na Terra Yanomami. A comissão terá 13 membros e será coordenada pela única congressista indígena, a deputada Joenia Wapichana. o comissão agora está em Roraima estado e planejava visitar a vila de Aracaçá, que só é acessível por avião ou helicóptero e precisaria do apoio logístico do exército brasileiro. No entanto, os militares negado ajudar a delegação parlamentar, dizendo que seria impossível “devido aos recursos aéreos limitados disponíveis na região amazônica”. 

A negação do pedido da delegação parlamentar é especialmente digna de nota, uma vez que as Forças Armadas do Brasil têm um histórico de apoiar os interesses da mineração ilegal na Amazônia, fazendo pouco para apoiar os esforços de aplicação da lei contra a indústria. Em 2020, Força Aérea Brasileira trouxe garimpeiros ilegais da cidade de Jacareacanga, no estado do Pará, a Brasília para um encontro com o então ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles.

O povo Yanomami está atualmente enfrentando uma crise humanitária porque o regime Bolsonaro está abertamente ao lado da mineração ilegal e outras indústrias criminosas, empurrando a Amazônia para seu ponto de inflexão. Somente em 2021, a atividade de mineração ilegal nos territórios Yanomami aumentou 46% com resposta mínima do governo. Os principais alvos dessa tragédia são mulheres e crianças, que enfrentam violência e abuso sexual.

A violência e as ameaças contra as comunidades indígenas estão profundamente enraizadas na indústria de mineração e isso é inaceitável. Hoje, o governo federal do Brasil e seu chefe de estado se recusam a respeitar a Constituição do Brasil, especialmente no que diz respeito aos direitos dos povos indígenas. O governo está possibilitando a destruição do meio ambiente, e as experiências dos Yanomami não devem ser normalizadas. Bolsonaro coloca o lucro sobre as pessoas, e isso não pode ser respondido com silêncio. Enquanto o mundo testemunha essa tragédia que se desenrola, sabemos que pode parecer pesado e como se não houvesse nada que possamos fazer. Mas nossa voz e consciência desempenham um papel importante, e devemos manter isso sob os holofotes. Devemos exigir responsabilidade e uma resposta completa a esta crise humanitária que se desenrola, e isso começa com uma investigação completa sobre a recente tragédia em Aracaçá.

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