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Supremo Tribunal Federal aprova redução de área da Amazônia, abrindo caminho para megaferrovia.

Apesar da decisão judicial, o projeto Ferrogrão, apoiado pela empresa americana Cargill, permanece paralisado por falta de licença ambiental e continua enfrentando grandes desafios legais e regulatórios.

22 de maio de 2026 | Para divulgação imediata


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Brasília, Brasil - Ontem, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil manteve a lei que reduz a área do Parque Nacional Jamanxim, permitindo a expansão da área de preservação ambiental. polêmico projeto ferroviário da Ferrogrão para avançar rumo ao licenciamento ambiental. Embora a decisão remova um obstáculo importante para o megaprojeto, ela não autoriza a construção, não confirma a viabilidade ambiental da ferrovia nem resolve as principais questões técnicas, legais e socioambientais que continuam a atrasar o projeto.

Em sua decisão, os ministros do STF enfatizaram que a decisão sobre a alteração dos limites do parque não aprova o projeto. Para prosseguir, os responsáveis ​​pelo Ferrogrão devem concluir um complexo processo de licenciamento ambiental, apresentar estudos técnicos e avaliações de impacto atualizados e realizar consultas públicas gratuitas, prévias e informadas com as comunidades afetadas.

O projeto Ferrogrão permanece paralisado no Tribunal de Contas da União (TCU), que recomendou a manutenção da suspensão do processo de concessão até que a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e o Ministério dos Transportes realizem uma nova audiência pública que demonstre participação popular significativa e obtenha uma Licença Preliminar para comprovar a viabilidade ambiental do projeto e justificar o financiamento público previsto. O TCU também identificou lacunas relativas à participação pública, às condições socioambientais e à modelagem financeira da ferrovia.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(IBAMA) também não aprovou o projeto. Documentação do IBAMA afirma que os estudos da Ferrogrão estão desatualizados e que a seção referente às comunidades indígenas requer documentação adicional. O IBAMA também mantém o processo de licenciamento ambiental suspenso até que sejam apresentados dados atualizados e uma definição mais clara dos impactos socioambientais do projeto.

“A decisão da maioria do STF é séria, mas não encerra a disputa. A Ferrogrão continua sem licença e se baseia em estudos falhos, promovendo uma falsa solução ‘verde’ difundida pelo agronegócio para beneficiar empresas estrangeiras como a Cargill. Povos indígenas e comunidades tradicionais não foram consultados. O povo brasileiro deve rejeitar a destruição do Rio Tapajós em benefício de um pequeno grupo de bilionários”, afirma Pedro Charbel. Amazon Watch Ativista e coordenadora da Enough Soy Alliance, um grupo composto por mais de 40 organizações e movimentos sociais que se opõem à expansão das cadeias de abastecimento do agronegócio nos biomas da Amazônia e do Cerrado.

A decisão da Suprema Corte sobre o Parque Jamanxim ocorreu um dia após a Câmara dos Deputados do Congresso Nacional votar pela redução em 40% da área da Floresta Nacional de Jamanxim. A Floresta Nacional de Jamanxim está localizada a poucos quilômetros do Parque Jamanxim. Segundo Alessandra Munduruku, vencedora do Prêmio Goldman de 2023, líder indígena da região do Médio Tapajós e presidente da Associação Pariri, essas ações servem apenas aos interesses do agronegócio.

“Ontem, o Congresso aprovou um projeto de lei para reduzir a Floresta Nacional de Jamanxim, e hoje a Força-Tarefa Especial (STF) autorizou alterações no parque para avançar com o que chamamos de 'ferrovia da morte'. Essas decisões não beneficiam a população. Elas são tomadas em prol do agronegócio – rasgando a Constituição no processo – sem se importar com a morte do nosso rio ou com os impactos em nossa floresta. Lamentavelmente, não podemos mais depositar nossa fé na STF. Não podemos mais depositar nossa fé na Constituição, pois eles estão matando a Constituição e, ao fazer isso, estão nos matando”, disse ela.

Lucas Tupinambá, coordenador do Conselho Indígena Tupinambá Arapiuns (CITA), destacou que as mobilizações indígenas já bloquearam outros projetos de expansão da infraestrutura do agronegócio, incluindo as hidrovias propostas ao longo dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins.

“O agronegócio pode ter vencido esta rodada, mas o projeto continua paralisado e contestado. Já demonstramos nossa força quando nós revogou o Decreto 12,600que tentou impor a construção de vias navegáveis ​​sem consultar os povos da região. A resistência continuará – nos territórios, nas ruas, nos tribunais e onde quer que seja necessário. Não aceitaremos decisões sobre o futuro do Tapajós sem a participação dos próprios povos que vivem ao longo deste rio e o protegem”, enfatizou.

Especialistas destacam que o Ferrogrão continua enfrentando oposição porque expande um modelo de desenvolvimento que concentra lucros, externaliza custos ambientais e sociais para as comunidades locais e transforma rios, florestas e territórios em corredores de exportação.

“A Ferrogrão ignora os impactos socioambientais nas bacias dos rios Tapajós e Xingu, conclusão a que chegou o próprio Tribunal de Contas da União (TCU) ao suspender o estudo de viabilidade da concessão (EVTEA) do projeto. A ferrovia poderia acelerar a expansão do agronegócio no Mato Grosso e no Pará, pressionando territórios tradicionais; também levaria a um aumento da infraestrutura portuária e a uma maior degradação do rio Tapajós devido ao intenso tráfego de barcaças transportando soja”, avalia Renata Utsunomiya, analista de políticas públicas especializada em transporte na Amazônia, do Grupo de Trabalho de Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra).

Segundo Melillo Dinis, advogado do Instituto Kabu, que representa o demandante no processo ADI 6553 e o povo indígena Kayapó do Pará, a sentença intensificará as pressões ilícitas sobre o território:

“A decisão do Supremo Tribunal revela uma pressão legítima – exercida em favor de um modelo de desenvolvimento para a Amazônia focado na exportação de commodities – que impacta diretamente a vida das populações locais e viola todas as garantias constitucionais. A consequência dessa situação é que ela também intensificará as pressões ilícitas – pressões que se manifestam como grilagem de terras, extração ilegal de madeira, mineração a céu aberto, insegurança e ataques contra os povos da Amazônia, particularmente na região do Arco Norte. Mesmo assim, essas comunidades continuarão e fortalecerão sua resistência ao Ferrogrão”, afirmou.

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