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Tribunal brasileiro aumenta pressão sobre mineradoras canadenses que operam na Amazônia.

As decisões do Tribunal de Apelações reforçam as reivindicações indígenas relativas à falta de consultas, ao mesmo tempo que proíbem as agências governamentais de representarem os interesses canadenses em processos judiciais.

21 de maio de 2026 | Para divulgação imediata


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Crédito: Anderson Barbosa / Amazon Watch

Belém, Brasil – Ontem, movimentos indígenas da Amazônia celebraram uma vitória política contra projetos de mineração de propriedade canadense. No estado do Amazonas, uma decisão do Tribunal de Apelações da 1ª Região (TRF1) fortaleceu a resistência do povo Mura contra o Projeto Potássio Autazes, da Potássio do Brasil, subsidiária brasileira da canadense Brazil Potash. No estado do Pará, comunidades do Volta Grande do Xingu conseguiram adiar uma audiência sobre a licença da Belo Sun, mineradora canadense que busca construir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil em uma região já severamente impactada pela megabarragem de Belo Monte.

Os dois casos refletem o crescente escrutínio judicial sobre as empresas de mineração canadenses que buscam expandir a exploração mineral na Amazônia sob a justificativa de desenvolvimento e segurança econômica. A Potássio do Brasil pretende extrair potássio de Autazes, região habitada pelo povo Mura. A Belo Sun pretende extrair ouro no Volta Grande do Xingu, uma das regiões mais ecologicamente sensíveis e biodiversas da Amazônia brasileira.

Embora os procedimentos legais sejam diferentes, ambos os casos expõem uma preocupação comum levantada pelos povos indígenas e organizações aliadas: empresas de mineração que tentam fazer passar o apoio de grupos indígenas pró-mineração por consentimento coletivo da comunidade. Em ambos os processos, as comunidades que se opõem aos projetos denunciam falhas na Consulta Livre, Prévia e Informada, um direito garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho. Elas também questionam quem tem legitimidade para falar em nome dos povos afetados e qual órgão – estadual ou federal – tem autoridade sobre o licenciamento ambiental.

No caso Mura, a TRF1 reconheceu que uma organização indígena pró-projeto não pode falar em nome de aldeias que não a reconhecem como sua representante. A decisão também indicou que órgãos públicos, incluindo o Instituto do Meio Ambiente do Amazonas (IPAAM) e a Agência Nacional de Mineração (ANM), não podem atuar em defesa dos interesses econômicos da Potássio do Brasil em processos judiciais. Para as comunidades, essa decisão deixa claro que a consulta não pode ser conduzida por meio de interlocutores escolhidos pela empresa ou por instituições que não representam todos os povos afetados. Por essa razão, o processo de consulta indígena do projeto pode ser contestado e anulado.

“Acordar com essa notícia nos trouxe uma alegria imensa. Cada vitória, pequena ou grande, fortalece ainda mais o nosso trabalho. Esta é a resposta. Nós somos a resposta, porque se trata de defender a vida, o nosso lar e o direito dos nossos filhos de ainda terem um pedaço de terra”, disse Milena Mura, uma das líderes da resistência contra o Projeto Potássio Autazes.

Na região do Volta Grande do Xingu, o movimento de resistência à Belo Sun reivindicou uma vitória após o tribunal retirar a audiência da pauta para analisar, em primeiro lugar, os pedidos pendentes apresentados no caso. Embora a decisão não suspenda o projeto, ela concede às comunidades um tempo crucial para apresentar aos juízes evidências de falhas no processo de consulta, dados sobre os impactos cumulativos da mina de ouro junto à barragem de Belo Monte e análises sobre os riscos socioambientais de uma mina de ouro em grande escala no rio Xingu.

“Ainda existem muitas questões obscuras que precisam ser esclarecidas. Este adiamento nos dá tempo e fôlego para mostrar à sociedade e aos juízes o que a mineração significa em uma região já punida por Belo Monte. Para nós, foi uma vitória”, disse Ana Laide, do Movimento Xingu Vivo Para Sempre.

Para Amazon WatchAs decisões favoráveis ​​ao povo Mura fortalecem o caso contra a Belo Sun. “Se os tribunais reconheceram, no caso Mura, que órgãos públicos não podem atuar como defensores de uma empresa e que nenhuma organização pode se sobrepor à decisão coletiva das comunidades, o mesmo raciocínio deve ser aplicado à Belo Sun no Volta Grande do Xingu, onde um órgão do governo federal, como o INCRA (Instituto Nacional de Reforma Agrária), não só apoia o projeto como também cedeu irregularmente terras públicas à mineradora”, afirmou Ana Alfinito, assessora jurídica da empresa. Amazon Watch.

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