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Indígenas brasileiros protestam contra a dragagem do Rio Amazonas para exportação de grãos.

4 de fevereiro de 2026 | Fran Blandy | AFP

Centenas de indígenas protestam há duas semanas no norte do Brasil em frente ao terminal portuário da gigante agroindustrial americana Cargill, indignados com a dragagem e o desenvolvimento de rios amazônicos para a exportação de grãos.

As comunidades indígenas do Brasil vêm alertando há meses sobre a expansão portuária em rios que consideram vitais para seu modo de vida, uma queixa que foi objeto de protesto durante a COP30, a conferência sobre mudanças climáticas realizada em novembro passado.

“O governo está abrindo nossos territórios para muitos projetos… para impulsionar o agronegócio”, disse a líder indígena Auricelia Arapiuns à AFP em uma mensagem de vídeo da cidade portuária de Santarém, na Amazônia, no mesmo estado que sediou a COP30 em Belém.

“Estamos aqui há 14 dias, mas esta luta não começou agora. Ocupamos a Cargill para chamar a atenção e fazer com que o governo apresentasse uma proposta.”

Na quarta-feira, cerca de 700 indígenas de 14 comunidades participavam da manifestação, segundo o... Amazon Watch Grupo de advocacia.

Os manifestantes bloquearam a entrada e saída de caminhões do terminal, afirmou a Cargill em um comunicado enviado à AFP, acrescentando que não tem autoridade nem controle sobre as reclamações.

A multinacional com sede em Minnesota possui operações de logística agrícola em todo o Brasil, onde emprega 11,000 pessoas.

Na quarta-feira, manifestantes exigiram o cancelamento de um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em agosto, que designa os principais rios da Amazônia como prioritários para a navegação de cargas e a expansão de portos privados.

Eles também querem o cancelamento de uma licitação federal lançada em dezembro, no valor de 74.8 milhões de reais (US$ 14.2 milhões), para administrar e dragar o rio Tapajós – um importante afluente do Amazonas.

“Essa infraestrutura que está sendo construída não é um espaço para nós, e nunca será. É um projeto de morte para matar nosso rio e nossos lugares sagrados”, disse a líder indígena Alessandra Korap, do povo Munduruku, em um comunicado.

O Ministério dos Portos afirmou no início de janeiro que o contrato com uma empresa para dragagem de manutenção era necessário para “aumentar a segurança da navegação… e garantir maior previsibilidade para as operações de transporte de carga e passageiros”.

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