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Grande vitória para interromper a mineração no coração da Amazônia brasileira

Juiz brasileiro anula contrato de direitos de terra da Belo Sun, dando um duro golpe nos planos da empresa de construir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil

5 de dezembro de 2024 | Ana Paula Vargas e Ana Carolina Alfinito | De olho na Amazônia

Crédito: Cícero Pedrosa Neto / Amazon Watch

No coração da Amazônia brasileira, comunidades indígenas e ribeirinhas estão comemorando uma vitória histórica. Na semana passada, um tribunal federal anulou o contrato da Belo Sun que concedia à empresa canadense direitos de terra na região, em um grande revés para seus planos de escavar a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil nas margens do Rio Xingu. 

Esta decisão crucial revigora a luta de mais de uma década liderada pelas comunidades da linha de frente contra a megamina “Volta Grande” da Belo Sun, que ameaça causar danos irreversíveis a um território já devastado pela megabarragem de Belo Monte. 

Desde 2012, Amazon Watch lutou ao lado de nossos parceiros na região para encerrar os planos da empresa e proteger esse ecossistema sagrado e as comunidades que o administram. Como parte de nossa campanha Mineração para Fora da Amazônia e em colaboração com nossos parceiros, cofundamos a Aliança Volta Grande do Xingu. Organizamos uma ampla gama de táticas, incluindo estratégias legais, mobilizações de advocacia nacionais e internacionais, campanhas de comunicação e coleta e pesquisa. Ao nos reunirmos para celebrar esta grande vitória, também permanecemos vigilantes e firmes em nosso movimento por justiça ambiental.

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Ao anular um contrato altamente contestado emitido em 2021 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) do Brasil, a decisão recente nega à Belo Sun o acesso à mineração de terras públicas originalmente designadas para a reforma agrária. A medida reina nos esforços imprudentes e ilegais da Belo Sun para subverter a política fundiária brasileira para seus próprios fins, efetivamente interrompendo o avanço do projeto Volta Grande. Essa retribuição ocorre em um lugar e momento simbólicos, enquanto o estado do Pará, no Brasil, se prepara para sediar a Conferência do Clima da ONU (COP30) do ano que vem. 

A vitória vem de uma ação movida em 2022 pela Defensoria Pública da União (DPU) e pela Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE/PA), que buscava cancelar a concessão de terras da Belo Sun devido a flagrantes irregularidades. 

A decisão afirmou que a concessão ilegal desses lotes de reforma agrária à Belo Sun teria estabelecido um precedente perigoso no Brasil, colocando em risco os assentamentos de reforma agrária em toda a Amazônia. Ela mostra que a agricultura familiar e a justiça social – os pilares da reforma agrária – não serão sacrificadas pela mineração transnacional destrutiva. Ela também revela que o INCRA, que é responsável por garantir que as famílias tenham acesso à terra e às políticas de reforma agrária, havia abandonado sua missão institucional. O acordo contradizia o mandato do INCRA de alocar terras para a reforma agrária em vez de para a exploração da mineração. O INCRA não pode legitimar a grilagem de terras. a empresa de mineração não deve anular a reforma agrária, a soberania alimentar, ou proteção da Amazônia. 

Após a decisão do tribunal, a Belo Sun deve reiniciar suas negociações com o governo federal do Brasil para obter acesso ao seu desejado local de mineração em um profundo revés que fez com que seu já magro preço de ação caísse abaixo de 3 centavos por ação. A decisão também impacta outros processos movidos pela Belo Sun. Sem acesso formal à terra, processos da empresa de mineração contra colonos, como reivindicações de retomada de posse e denúncias de criminalização alegando invasão, provavelmente perderão seu mérito.

“Esta decisão representa a restauração da segurança jurídica em terras usurpadas pela Belo Sun”, disse Ana Laide Barbosa, do Movimento Xingu Vivo Para Sempre. “Ela determina que a concessão de terras destinadas à produção de alimentos sob políticas de reforma agrária à Belo Sun é ilegal. Este acordo, assinado sob o governo Bolsonaro, colocou em risco a vida e o futuro dos agricultores da região. Sob o presidente Lula, esperamos que o INCRA cumpra a decisão do tribunal e destine as terras recuperadas a agricultores sem terra que buscam um lugar para plantar, viver e proteger o que resta da Amazônia.”

vigilância

Por mais de uma década, a Belo Sun permaneceu determinada a impor sua mina Volta Grande às comunidades do Xingu. 

Na sua resposta oficial, a empresa de mineração canadense minimizou a decisão e se referiu ao INCRA como seu parceiro, alegando que “trabalharia com o INCRA para resolver esta questão”. 

Apesar de a empresa não deter mais uma concessão de terra, o tribunal não chegou a anular o processo de licenciamento ambiental do projeto, o que significa que um recurso bem-sucedido poderia colocar a mina de volta nos trilhos. 

Amazon Watch e os membros da Aliança Xingu permanecerão vigilantes e manterão nosso trabalho na região, aumentando a pressão sobre o INCRA para manter seu compromisso institucional com a reforma agrária e a soberania alimentar, não exploração de mineração. 

A Aliança Volta Grande do Xingu, o Movimento Xingu Vivo Para Sempre, comunidades locais, ambientalistas e ativistas de direitos humanos pedem ao INCRA que fortaleça a reforma agrária na região. É crucial que a agência registre as famílias assentadas no Assentamento de Reforma Agrária da Ressaca (PA Ressaca), assente famílias sem terra e avance com políticas públicas que permitam que comunidades indígenas e tradicionais produzam e vivam com dignidade. 

Enquanto os líderes mundiais se reuniam na COP16 para discutir planos para salvaguardar a biodiversidade global em outubro passado, lançamos uma nova fase da nossa campanha. Ecoando os apelos da luta liderada pelos indígenas por seus direitos à terra, territórios ancestrais e modos de vida tradicionais, a Aliança da Volta Grande do Xingu soou alarmes, lembrando ao mundo que “nossa terra é para plantar e proteger! " 

Ao mesmo tempo em que a Amazônia brasileira sofre com uma crise sem precedentes incêndios e secas exacerbadas pela crise climática, o país está recebendo cada vez mais elogios internacionais como um líder climático global enquanto se prepara para sediar a COP30 em Belém. O governo do presidente Lula prometeu proteger a Amazônia e combater a pobreza, celebrando recentemente a criação da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza durante o G20. 

Nesse contexto, é altamente questionável que o INCRA, órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, priorize uma mineradora estrangeira em detrimento das necessidades das famílias que trabalham na produção de alimentos e das comunidades cujas vidas foram dedicadas à proteção da floresta amazônica e dos rios.

Esta recente decisão do tribunal federal anulando o contrato da Belo Sun e do INCRA é um passo crucial em direção à justiça, ressaltando a resiliência das comunidades da Volta Grande do Xingu. Amazon Watch continuaremos solidários com nossos parceiros na região, ampliando sua luta para proteger suas terras ancestrais, meios de subsistência e o coração da Amazônia.

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