Armados com arcos, flechas e pesados bastões de madeira, cerca de uma dúzia de índios da tribo Munduruku se revezam guardando a entrada do canteiro de obras da terceira maior barragem do mundo, a Belo Monte. Junto com 170 manifestantes indígenas de várias tribos, incluindo mulheres e crianças, os Munduruku forçaram a paralisação de todas as construções. É a segunda ocupação da barragem neste mês e, desta vez, dizem que não irão embora enquanto não conversarem com a própria presidente do Brasil, Dilma Rousseff.
Após 20 anos de protesto contra a hidrelétrica de Belo Monte, a construção do polêmico projeto hidrelétrico está atingindo seu pico neste ano, gerando temores indígenas sobre os planos futuros de barragem dos rios amazônicos. Estudos para três barragens do rio Tapajós, afluente do Amazonas, estão sendo realizados em território Munduruku sem permissão indígena.
“Estamos tentando lutar com antecedência, então não teremos que lidar com o que já está acontecendo aqui”, diz Akay Biorebo, um guerreiro Munduruku. Ele aponta para as falésias de terra nuas atrás de si, onde o terreno está sendo preparado para as turbinas principais da hidrelétrica de Belo Monte, que está sendo construída na Grande Curva do Rio Xingu.
Grupos indígenas da região do Xingu afirmam que as licenças para Belo Monte foram concedidas sem a devida consulta aos povos indígenas, cujas terras circundam o local da barragem. Existem atualmente mais de 50 ações judiciais em tribunais regionais e federais questionando a legalidade da barragem durante o andamento da construção. Agora, outras tribos amazônicas, como os Munduruku, temem que Belo Monte tenha aberto um precedente para desenvolvimento e construção sem consulta.
“O governo está desrespeitando a lei”, diz Biorebo. “O governo está desrespeitando os direitos indígenas da Constituição Brasileira de 1988.”
Biorebo citou o artigo 231 da Constituição, que garante aos povos indígenas o direito aos seus estilos de vida tradicionais e o direito de viver permanentemente em suas terras tradicionais. Mas o governo está usando a força - destacando a polícia militar, por exemplo - para apoiar estudos de barragens conduzidos em territórios indígenas.
“Essas pessoas estão vindo para nossas terras sem nossa permissão”, diz Biorebo. “Mas estamos unidos aqui, a uma só voz, para mostrar que isso está acontecendo. Esperamos que isso nos dê a chance de conversar com Dilma ”.
No dia 2 de maio, os Munduruku se uniram com os Kayapó, Xipaia, Arara e outros grupos indígenas da área para ocupar Belo Monte com a mesma reivindicação: que o governo respeitasse os direitos indígenas constitucionais. Os ocupantes deixaram o local em paz quando lhes foi oferecido um encontro com o Secretário-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Mas o encontro nunca aconteceu. Agora, os ocupantes dizem que não irão embora até que iniciem um diálogo com Dilma ou uma de suas secretárias.
“Estamos aqui esperando a Dilma vir conversar com a gente. Isso não é pedir muito, não é? " diz Kaba Remuybu, um líder dos Munduruku.
As tribos dizem que vieram preparadas para ocupar o local por meses e que não serão removidas pacificamente a menos que suas demandas sejam atendidas.
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