Indígenas “Caucus Headdress” vão ao Congresso Brasileiro em Eleição Crucial e Precária | Amazon Watch
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Indígenas “Caucus de cocares” vão ao Congresso do Brasil em eleições cruciais e precárias

As lideranças indígenas brasileiras Sonia Guajajara e Célia Xakriabá foram eleitas para a câmara baixa do Congresso, enquanto o ex-presidente Lula da Silva obteve 48% dos votos, forçando um segundo turno com o presidente Bolsonaro no final do mês

6 de outubro de 2022 | Christian Poirier | De olho na amazônia

Crédito: Felipe Beltrame

No domingo, 2 de outubro, o Brasil foi às urnas em uma eleição histórica, fundamental não só para a defesa da jovem democracia do país, mas para o futuro da vida em nosso planeta. Os votos foram lançados para a presidência do país, bem como para a liderança do Congresso e do estado. Um país profundamente polarizado escolheu entre as visões diametralmente opostas de Jair Bolsonaro e Lula da Silva, enquanto o mundo acompanhava atentamente as pesquisas para uma decisão que representasse o futuro da floresta amazônica e da estabilidade climática global. 

Enquanto a disputa presidencial obrigou a um segundo turno marcado para o final do mês, a eleição viu a vitória histórica de membros da bancada indígena do Brasil em São Paulo e no estado de Minas Gerais, em um avanço importante para a representação indígena no câmara baixa do Congresso Nacional do Brasil. As vitórias de Sonia Guajajara e Célia Xakriabá – líderes centrais do movimento indígena brasileiro – trazem uma representação política muito necessária aos povos indígenas cujos direitos e terras foram impiedosamente visados ​​pelo regime Bolsonaro. 

As vitórias vêm em um momento crítico, quando a floresta amazônica atinge um ponto de inflexão, e a voz de líderes poderosos e confiáveis ​​é necessária para reverter a maré destrutiva desencadeada por Bolsonaro. Sonia e Célia há muito lutam para defender os direitos indígenas e a governança ambiental do Brasil. Elas vai encontrar um aliado em Marina Silva, uma respeitada ex-ministra do Meio Ambiente que também foi eleita para o Congresso Nacional do Brasil. 

Sônia Guajajara vem do povo Guajarara da Amazônia brasileira. É ativista, ambientalista e Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Este ano, TIME 100 a nomeou entre as pessoas mais influentes do mundo. Durante sua campanha no Congresso, ela defendeu a importância da demarcação de terras indígenas, ao mesmo tempo em que destacou que o agronegócio brasileiro representa uma das forças mais destrutivas dos ecossistemas brasileiros e denunciou os impactos catastróficos da mineração ilegal de ouro em territórios nativos. 

“Não podemos aceitar como a mineração polui os rios com mercúrio, destrói a selva, destrói a pesca, mata os povos Yanomami e Munduruku e explora seus trabalhadores. Dourado e diamantes não devem ser manchados com sangue indígena”, disse ela.

Crédito: Katie Mahler

Célia Xakriabá é professora, poetisa e ativista do povo Xakriabá no bioma Cerrado do Brasil. Ela é uma das fundadoras da Associação Nacional de Mulheres Ancestrais Guerreiras Indígenas (ANMIGA) e uma das principais integrantes do movimento de mulheres indígenas no Brasil. Ela também ajudou a criar o movimento “Reforesting Minds” baseado na ancestralidade e sabedoria indígena que defende uma mudança de consciência entre o público global sobre a preservação do planeta.

“Vou legislar no Congresso Nacional com o compromisso com o meio ambiente, com o território e com o apelo da terra, que me trouxe até aqui”, afirmou Célia. “Esta eleição é para o planeta. [Meu estado] terá orgulho de 'mulher', 'reflorestar' e 'indigenizar' a política com projetos culturais. Será um mandato de resistência. Será um mandato de luta.” 

Lula vence o primeiro turno, mas vai para o segundo turno com Bolsonaro enquanto o Congresso do Brasil dá uma guinada para a direita 

Embora a criação de uma “caucus de touca” tenha sido motivo de comemoração, outros resultados notáveis ​​da eleição de domingo foram sinais alarmantes para a democracia, os direitos humanos e a proteção ambiental no país mais populoso da América Latina. Lula não conseguiu vencer a eleição e Bolsonaro obteve muito mais votos do que o projetado pelas pesquisas, levando a um segundo turno marcado para 30 de outubro. Os eleitores decidirão então se um progressista voltará ao comando da quarta maior democracia do mundo da maioria da Amazônia ou o titular da extrema direita permanecerá no cargo, em uma sentença de morte para a floresta tropical.

Enquanto isso, os principais aliados de Bolsonaro foram eleitos para o Congresso do Brasil, incluindo membros de seu gabinete, com 19 dos 27 assentos disponíveis no Senado indo para candidatos extremistas. Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro conhecida por seu apoio inflexível aos agrotóxicos, e o vice-presidente Hamilton Mourão, que liderou o Conselho da Amazônia que supervisionou o desmatamento e as queimadas recordes, foram eleitos senadores. 

Na série câmara baixa do país do Congresso, o “Partido Liberal” do presidente Bolsonaro aumentou sua representatividade em 30%, saltando de 76 para 99 cadeiras. O Partido Liberal tem um dos piores registros ambientais entre os muitos partidos do país, de acordo com dois fiscalizadores do Congresso. Um dos novos legisladores é o vilão ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles, um feroz aliado do agronegócio que descartou as mudanças climáticas como um “debate inútil” e foi removido de seu cargo no gabinete enquanto estava sob investigação por seu envolvimento em uma máfia ilegal de tráfico de madeira. 

O domínio de forças de direita, favoráveis ​​à indústria e antiambientais na política brasileira dá ainda mais importância aos resultados do segundo turno presidencial de 30 de outubro. Embora a ascensão de vozes indígenas ao Congresso seja vital, será amplamente simbólica, a menos que Bolsonaro seja derrotado. o importância desta eleição para a Amazônia e outros biomas brasileiros ameaçados não poderia ser maior. 

Uma eleição de importância global

O território brasileiro contém 60% da Amazônia, dos quais 21% foram destruídos, uma área três vezes maior que a do Reino Unido. A taxa de desmatamento de hoje está empurrando a Amazônia para o que os cientistas chamam de “ponto sem retorno”, além do qual a floresta tropical não será capaz de manter seu próprio clima e se transformará em uma savana seca, emitindo mais gases de efeito estufa do que absorve. Este cenário sombrio já está se desenrolando em fortemente partes desmatadas da Amazônia brasileira.

Sob a presidência de Bolsonaro, a destruição da floresta tropical do Brasil atingiu um recorde no primeiro semestre deste ano. As taxas de desmatamento aumentaram quase 60% durante seu mandato, atingindo uma alta de 15 anos, com uma área de florestas amazônicas maior que a Bélgica ou Massachusetts perdida em três anos. Na campanha eleitoral, Lula prometeu acabar com o desmatamento e a mineração ilegal, deixando os analistas preverem um Queda percentual de 90 na perda de floresta se for eleito.

A reconstrução da governança ambiental no Brasil não é possível sob Bolsonaro, que liderou um processo muito claro de desmantelamento institucional e má gestão nos últimos anos.

O movimento indígena, a sociedade civil brasileira e os cidadãos conscientes em favor da vida, dos direitos humanos e da natureza continuarão se organizando por eleições justas e pacíficas. O mundo deve continuar a prestar atenção. O Senado dos Estados Unidos já aprovou por unanimidade declarado em uma resolução liderada por Bernie Sanders que reconhecerá imediatamente os resultados das urnas e romperá relações com o Brasil se houver sinais de golpe.

Independentemente dos resultados do segundo turno deste mês, a Amazon Watch continuará trabalhando ao lado de nossos parceiros de longa data no movimento indígena do Brasil – e agora nossos aliados no recém-formado “caucus” do Congresso – para responsabilizar os que estão no poder e lutar pelo respeito direitos humanos, normas democráticas e a proteção permanente da vivificante floresta amazônica.

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