Garimpeiros ilegais atacam e incendeiam aldeia Munduruku na Amazônia brasileira

Amazon Watch

For more information, contact:

Camila Rossi: crossi@amazonwatch.org ou +55.11.98152.8476


Foto: APIB

English version here

Jacareacanga, Brasil – Em 26 de maio, durante extensa operação da Polícia Federal para a remoção de garimpeiros ilegais do Território Indígena Munduruku, no estado do Pará, invasores armados atacaram uma aldeia Munduruku, atirando contra importantes lideranças contrárias à mineração ilegal em suas terras. Durante o ataque, duas casas foram incendiadas, entre elas a casa de Maria Leusa Kaba, coordenadora da Associação de Mulheres Wakoborum, e a residência do chefe da aldeia, de acordo com um comunicado do Movimento Munduruku Ipereg Ayu. 

“Venham, por favor, está uma confusão, vão queimar minha casa. (...) Eles estão dando tiro, por favor, me ajuda”, disse Maria Leusa em uma mensagem de áudio, após a qual a comunicação de internet da aldeia foi cortada. 

Nos últimos anos, Maria Leusa temrecebido ameaças de morte por se colocar contra a mineração ilegal, e teve de deixar a região de Jacareacanga em diversas ocasiões em busca de proteção para si e sua família. O ataque de hoje ocorre na esteira doincêndio do escritório da Associação Wakoborum em março, e é uma retaliação à “Operação Mundurukânia” da Polícia Federal, que visa retirar os invasores do Território Indígena Munduruku. 

O ataque teria sido provocado por um vazamento de notícias sobre a operação policial, gerando protestos e atos de intimidação contra a liderança Munduruku. Além da invasão da aldeia, um grupo de garimpeiros tentou invadir uma base policial e roubar equipamentos para impedir que os agentes chegassem até as terras ocupadas ilegalmente.

“A presença das Forças Nacionais na região desde segunda-feira, 24 de maio, não inibe os garimpeiros, que continuam cometendo atos de violência para ameaçar e intimidar as lideranças que são contra o garimpo ilegal em territórios indígenas”, disse a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) em um comunicado.  

“Solicitamos urgentemente a presença da Polícia Federal para evitar mais violência, assassinatos e massacres, que continuarão enquanto houver o incentivo às atividades de garimpo ilegal e a garantia de impunidade para esses criminosos. Vemos isso acontecendo em todos os territórios Yanomami e Munduruku", afirmaram o Movimento Munduruku Ipereg Ayu e outras quatro associações Munduruku no comunicado de emergência. O informe também adverte que outros importantes líderes Munduruku podem em breve sofrer os mesmos ataques e ameaças direcionados a Maria Leusa.

“Os povos indígenas do Brasil há semanas vêm sofrendo uma campanha de terror e violência, e o governo de Bolsonaro não toma nenhuma medida eficaz para protegê-los dos criminosos bem providos que invadem descaradamente seus territórios”, afirmou Christian Poirier, Diretor de Programas da Amazon Watch. “Expressamos nossa total solidariedade ao povo Munduruku e a suas organizações representativas que resistem à destruição das terras e rios Munduruku por garimpeiros. A reação criminosa e brutal de hoje à operação policial ressalta a importância do fomento a medidas de segurança e fiscalização em um ambiente cada vez mais precário, a fim de deter a violência contra as lideranças indígenas e preservar os ecossistemas vitais da Amazônia”. 

No mesmo dia dos ataques, comerciantes de Jacareacanga ligados ao garimpo ilegal realizaram um protesto contra a Operação da Polícia Federal, defendendo a legalização da atividade em terras indigenas, um pedido que fere a consttituiçao, os direitos indigeas e demonstra a força do setor hoje extremamente financiado, e apoiado pelo presidente Bolsonaro. No dia seguinte aos ataques, a Operação foi suspenda, e oficiais da PF e do Ibama deixaram o local.

Bolsonaro visitou no dia seguinte aos ataques o município de São Gabriel da Cachoeira, considerada a “cidade mais Indígena” do Brasil.  Líderes indígenas locais ressaltaramnão querer Bolsonaro em seu território. Em 29 de abril, em sua live semanal, Bolsonaro anunciou claramente seu apoio ao garimpo ilegal, uma marca registrada do seu governo. Ele disse ainda que planeja uma visita às guarnições militares na região Norte do Brasil e uma visita a um garimpo ilegal. “Nós não vamos prender ninguém. Esta não vai ser uma operação para punir garimpeiros irregulares. Eu quero conversar com as pessoas, [saber] como elas vivem lá. Para começar a ter uma noção de quanto ouro é produzido", disse ele.

O apoio, no alto escalão, do presidente Bolsonaro e de seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a essa atividade criminosa e altamente destrutiva, sinaliza aos garimpeiros que suas atividades – incluindo a violência contra as comunidades indígenas – não são apenas toleradas, mas aprovadas pelo governo federal.

Share

Related Multimedia

Features

Yes, I will donate to protect the Amazon!

"The work you do is vital, and I am happy to support it."
– Charlotte R. A.

DONATE NOW